Tudo bem?! Espero que sim!! ( :
SKOOB - Editora iD |
Quem me conhece sabe que sou fã de livros distópicos ou obras que apresentam um possível futuro da humanidade. Por isso, quando soube que a Editora iD lançaria BETA, primeiro volume da série Annex, escrita pela Rachel Cohn (autora de Nick & Norah - uma noite de amor e música, adaptado para o cinema), não pensei duas vezes. Fui acometido por uma necessidade absurda de ler esse livro.
Agora, depois de ter a leitura concluída ressalto que não me decepcionei com a narrativa. E já estou contando os dias para o lançamento da continuação Emergent, que tem data de lançamento para outubro de 2014 lá nos Estados Unidos, portanto, vou esperar um bom tempo pelas respostas e informações que me foram privadas pela autora.
Como já os introduzi rapidamente na atmosfera de BETA na coluna Li até a página 100, vou agora tornar aquele início mais coerente. Num futuro distante e remoto, a humanidade vive dias calamitosos quando os níveis do oceano se elevam vigorosamente inundando e alagando várias cidades. Por conta dessa destruição, os recursos do planeta se tornam mais escassos e portanto, conflitos para obtenção de moradia, água e alimentos se tornam intensos e culminaram na Guerra das Águas.
Com o fim dessa guerra, a sociedade (como em toda distopia) se vê beirando o caos e os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez ficam mais pobres e (morrem!). Esse grupinho seleto de ricos são os únicos que possuem chances de sobreviver e decidem criar uma nova cidade, a Cidade de Bioma. Lembrando que esta foi construída no deserto e possui uma arquitetura e paisagismo futurista como pode ser imaginado no quote abaixo:
Com o fim dessa guerra, a sociedade (como em toda distopia) se vê beirando o caos e os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez ficam mais pobres e (morrem!). Esse grupinho seleto de ricos são os únicos que possuem chances de sobreviver e decidem criar uma nova cidade, a Cidade de Bioma. Lembrando que esta foi construída no deserto e possui uma arquitetura e paisagismo futurista como pode ser imaginado no quote abaixo:
"Instantaneamente, estamos na cobertura do Hotel Green Cactus, o hotel de luxo mais famoso da cidade de Bioma, construído para parecer um enorme cacto, com balcões parecidos com espinhos. [...] Estrelas brilham no céu noturno enquanto as torres em estilo de árvores complementam as estrelas com as próprias luzes piscantes cor de jade que coroam cada edifício. Além do distrito central de negócios, as avenidas se alongam até comunidades individuais, onde as estruturas domiciliares são modeladas biometricamente em cupinzeiros, formigueiros e colmeias, criando arte viva e habitável a partir de inspiração arrepiante-rastejante-maldita. Além das comunidades suburbanas, dunas piramidais dão uma aparência de fortaleza de areias desérticas circundando a cidade". p. 200
Feita essa descrição deslumbrante da beleza da CB (Cidade de Bioma), abordo o foco do livro. Os cientistas e poderosos magnatas políticos com valores estratosféricos na conta bancária, procuram criar o paraíso da perfeição para diversão dos humanos que possuíam poder para usufruir disso. Nesse momento, surge Demesne, uma ilha paradisíaca e perfeita. Lá, o ar é modificado para ser sempre agradável, as águas do mar de Io são violetas e relaxantes. Não há poluição, não há roubos, não há assassinatos. Toda a perfeição aparente do mundo se concentra nesse local.
Os poderosos viventes de Demesne concluem que num local tão maravilhoso e único como aquele, os humanos não poderiam trabalhar. Eles deveriam apenas aproveitar os prazeres da ilha, ou seja, não eram dignos de sujar suas mãos com os trabalhos e por isso, os cientistas entram em ação e criam os inovadores Clones.
Escravos sem alma e sem sentimento, criados a partir de matrizes humanas que conservam a idade, a estatura e a força mas não possuem memórias ou desejos. Em outras palavras, fazem uma "mágica" e transformam o humano num clone que não foi feito para sentir, apenas para servir. Os clones são os subservientes perfeitos, haja vista que não poderiam reivindicar direitos, afinal de contas, eles não têm alma ou sentimentos.

"... muitos são capturados por piratas e mortos, sendo então vendidos à Dra. Lusardi. Foi assim que eu vim a existir? Porque minha Matriz foi assassinada e seu corpo duplicado, mas a sua alma extraída para que uma família em Demesne pudesse ter um brinquedo? Os humanos criam vida, e sem sentido, causam a morte. Para nada." p.163
Nós acompanhamos a clone BETA, Elysia. Uma adolescente que ainda se mantém em fase de testes. Um objeto/brinquedo para satisfazer os desejos mesquinhos dos humanos. Cada clone recebe uma tatuagem que designa qual "casta" irá ocupar, ou seja, qual função irá desempenhar. A Elysia recebe a tatuagem de flor-de-lis na têmpora direita que mostra a todos o fato dela ser um clone criado para servir e apenas para isso.
No entanto, Elysia possui aquele diferencial típico de todo protagonista. Teoricamente, um clone não deve ter memórias de sua matriz, ou seja, emerge sem conhecer nada e sem experiências, tendo tudo que precisa num banco de dados implantado em seu corpo, porém Elysia apresenta alguns flahs de memória enquanto mergulha (outra característica absorvida da matriz). Ela também sente gosto e apesar de não entender o porquê, obedece todas as ordens dirigidas a ela com a intenção de satisfazer os humanos mas no fundo, ela não se sente no dever de fazer aquilo. Ou seja, faz porque quer agradar mas não porque se vê obrigada. Por ser um modelo BETA, Elysia apresenta alguns defeitos que procura ocultar para sobreviver porque os clones defeituosos são extintos.
Entende-se por clone defeituoso, aquele que desperta de sua lavagem cerebral e passa a desenvolver gosto, sentimentos, toma atitudes por conta própria e tenta livrar-se da escravidão através da Insurreição e do desejo de se emancipar. No entanto, em BETA, todos os planos de insurreição ficam na teoria e eu espero ver o desenrolar disso, na continuação do livro.

A sociedade de Demesne é terrivelmente fútil e superficial. Homens poderosos casados com madames "peruas" e "falsas" que omitem todos os defeitos e podridão do interior familiar e que possuem filhos detestáveis, mimados. Ou seja, playboys e patricinhas são os jovens desse livro. O que eu percebi das pessoas em Demesne é a necessidade de provar aos outros que é perfeito, que pode comprar tudo que está na moda. Isso nos mostra um fenômeno bem atual: exaltar uma estampa perfeita quando o interior está podre e desgastado. Senti que a autora quis enfatizar sua crítica nesse setor e conseguiu.
Entende-se por clone defeituoso, aquele que desperta de sua lavagem cerebral e passa a desenvolver gosto, sentimentos, toma atitudes por conta própria e tenta livrar-se da escravidão através da Insurreição e do desejo de se emancipar. No entanto, em BETA, todos os planos de insurreição ficam na teoria e eu espero ver o desenrolar disso, na continuação do livro.

A sociedade de Demesne é terrivelmente fútil e superficial. Homens poderosos casados com madames "peruas" e "falsas" que omitem todos os defeitos e podridão do interior familiar e que possuem filhos detestáveis, mimados. Ou seja, playboys e patricinhas são os jovens desse livro. O que eu percebi das pessoas em Demesne é a necessidade de provar aos outros que é perfeito, que pode comprar tudo que está na moda. Isso nos mostra um fenômeno bem atual: exaltar uma estampa perfeita quando o interior está podre e desgastado. Senti que a autora quis enfatizar sua crítica nesse setor e conseguiu.
Elysia, logo que emerge, é vendida para uma família importante da ilha. Ela foi comprada com a intenção de substituir o vazio de Astrid, filha do casal, que diferentemente de todos na ilha tem anseios por sair da ilha e ir para o continente fazer faculdade. Astrid não aparece em BETA, mas é muito falada. A mãe é a típica "perua" que compra um clone para mostrar as amigas que ela foi a pioneira nisso. O pai é o Governador e administra a ilha. O filho Ivan é um playboy sem limites, drogado e com anseios de ir para a Base Militar e a Liesel, criança atormentada por pesadelos.
Sinto que a perfeição passou longe dessa família, sim ou claro?
Sinto que a perfeição passou longe dessa família, sim ou claro?
Durante a narrativa, sentimos que a Elysia vai amadurecendo e vai perdendo a alienação massiva. Ela passa a se inconformar e não aceita esse tratamento ridículo e abusivo.
"Antes passei pelo processo de ser o o animal de estimação BETA da Casa do Governador, pois nunca me ocorreu que tinha outras opções. Emergi e fazia o que me mandavam, pois não tinha razão alguma para não fazer, nenhum entendimento de que existiam outras possibilidades para mim. Agora, continuarei a ser seu animal de estimação BETA - não tenho escolha -, mas com a diferença de que estou planejando algo". p.247
Penso que essa escravidão abordada pela Rachel Cohn, é algo muito palpável. No tocante as inovações tecnológicas e as pesquisas médicas, acredito que num futuro onde nossos descendentes não estiverem mais aqui, será possível sim, encontrar clones ou mesmo robôs sendo escravizados. A humanidade se mostra mais nojenta e perdida a cada dia. O dinheiro virou "deus", infelizmente, e a escravidão não é um fenômeno erradicado.

A Rachel Cohn compôs uma sociedade e um ambiente inóspito e inimaginável; Em alguns momentos seguimos por um caminho surpreendente com informações relevantes e reveladoras, mas em outros o caminho se finda na previsibilidade de uma narrativa comum. É uma distopia maravilhosa sim, eu me surpreendi e gostei demais do livro. No entanto, não é a melhor distopia do mundo ou aquela com surpresas e situações inesquecíveis.
Os personagens do livro não são muito aprofundados, por exceção da Elysia, que narra a estória e por isso, tem maior importância do livro. O livro trata de alguns temas delicados e importantes para a construção de uma narrativa crítica como a inconsequência da juventude e do uso abusivo de drogas, o avanço da ciência e suas implicações no tocante à ética e moral médicas e os direitos humanos, além claro, de evidenciar as desigualdades sociais e a estratificação social.
Como já mencionei em outro post, a Elysia é um clone safadinho e que suspira ao ver músculos masculinos e barrigas saradas e em muitos momentos, ela tem umas falas desnecessárias na qual, eu me senti uma "mulherzinha" tendo de ouvir outra mulher comentando de músculos e de suas incertezas sobre a perda ou não da virgindade. Não sei qual a intenção da Rachel Cohn, mas acredito que tentou mostrar um lado "humano" e inerente a todos seres humanos, que é se sentir atraído por alguém ou apreciar a beleza de alguém.
Há um triângulo amoroso no livro que prefiro nem abordar de tão insosso e clichê.
E a autora encerrou a narrativa com uma informação bombástica que faz você repensar tudo que sabia até o momento. O cliffhanger foi usado e vou sofrer mais de um ano até ler a continuação.
E a autora encerrou a narrativa com uma informação bombástica que faz você repensar tudo que sabia até o momento. O cliffhanger foi usado e vou sofrer mais de um ano até ler a continuação.
Sobre a capa e a diagramação só tenho elogios. A Editora iD sempre arrasa nesses quesitos. Essa capa é linda e passa uma imagem bem fiel da Elysia do livro, com esse ar de distanciamento e olhar vítreo focado num ponto, expressando indiferença. As cores são bem trabalhadas, até no olhar fúcsia. Tem umas linhas verticais que me remete a algo tecnológico. Dentro do livro, o símbolo tatuado de flor-de-lis é bem usado para dar um charme diferencial e que faz jus a perfeição tão trabalhada no livro.
Eu recomendo o livro para todos que gostem de distopia, livros jovens e de leitura ágil. Acredito que fãs da série Feios do Scott Westerfeld vão adorar essa série. Estou ansioso por Emergent, porque a dona Rachel Cohn me deve respostas! rs
AVALIAÇÃO GERAL: