Olá, pessoal,
Tudo bem?! Espero que sim.
| SKOOB - Grupo Editorial Record - Leia um trecho |
Já falei algumas vezes aqui no blog, o quanto admiro a literatura policial europeia. Nessa região do globo, os livros são mais sombrios e apresentam um clima gélido, úmido, noir e frio. Na minha humilde opinião, eles superam os livros policiais norte-americanos. Hoje, quero lhes apresentar a resenha do livro Em nome do mal, escrito pelo James Oswald e publicado no Brasil, pelo Grupo Editorial Record.
O livro foi ambientado na cidade de Edimburgo, capital da Escócia e acompanha o inspetor Anthony McLean na busca por respostas de um macabro e violento assassinato datado de meados da década de 40 e ao que tudo indica faz parte de um ritual demoníaco, devido a disposição do corpo num círculo com mãos e pés presos ao chão por pregos e em forma de cruz. Se já não fosse cruel o bastante, o corpo da jovem também foi violado e suas entranhas expostas, com alguns órgãos dentro de potes.
Após esse corpo ser descoberto, uma série de mortes passa a acontecer e a violência ronda a cidade num espetáculo de sangue e mistério. Aparentemente, nenhum desses casos possuem relação entre si, mas o modo brutal pelo qual são realizados chama a atenção e o medo passa se tornar constante na cidade. Leitores de estômago fraco e acostumados a leituras leves, podem achar bem pesado o teor e quantidade de mortes, porém eu não me incomodei com isso.
Como há muitas descrições de mortes, é impossível não perceber certas semelhanças entre o modus operandi, pelas quais são cometidas. Figuras proeminentes da sociedade local são assassinados de modo horripilante; vários desconhecidos se suicidam num espetáculo de horror. Nesse momento, impera na cidade uma onda de violência que alimenta a essência do mal e a partir disso, McLean e sua equipe de investigação se deparam com uma gama de coincidências, relações entre personagens, ligações entre os suicídios e os assassinatos e como tudo pode ou não ter relação com o corpo mutilado do ritual de magia negra.
Esse é o tipo de trama que não é possível dizer muito sem soltar spoilers. Prefiro aguçar a curiosidade de vocês e convidá-los a lerem o livro, do que contar todo o desenvolvimento da trama. De modo geral, a forma como a história é conduzida se torna muito intrigante e nos deixa curiosos com toda a desenvoltura do autor em narrar essa trama e prosseguir com a investigação. Não há nada de previsível em mais de 330 páginas e a cada capítulo o autor nos presenteia com uma nova revelação. Ele poderia ter dito muito em poucas páginas, mas preferiu deixar doses homeopáticas de pistas, reviravoltas, descobertas e etc. Esse efeito de a cada capítulo ter alguma novidade confere um diferencial incrível ao livro.
Em nome do mal se configura um livro que possui uma investigação complexa e completa em sua essência. Nessa obra, há uma preocupação constante em tornar o leitor alguém da corporação policial e por vezes, eu me flagrei dizendo qual seria o próximo passo da investigação. Foi muito agradável perceber o crescimento da trama e como uma pequena pista foi levando a outras peças do quebra-cabeça e como tudo foi costurado tão perfeitamente a ponto de eu me perguntar: "como ele(o autor) pensou em tantos detalhes?"
Ao olhar para o quadro todo, nos deparamos com um emaranhado de idas e vindas e relações entre os personagens que colocam em xeque a autenticidade de certas ações do passado e suas implicações no presente.
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| Anthony McLean |
A resolução dos fatos não surpreende, porque a cada página você vai agregando novas informações e com isso, pode ir concluindo o desfecho da trama. Ele não acumula todas as respostas para as perguntas dos leitores e as liberam de uma única vez. Repito: o desfecho não surpreende, mas fascina e encanta pela engenhosidade e audácia do autor em compor algo tão único.
O drama familiar do protagonista foi algo bem trabalhado pelo James e que serviu para humanizar a figura do investigador. Conhecer o passado do McLean e perceber como ele pensa e toma as decisões de modo tão calculado é muito bacana. Outro fator que me agradou muito, diz respeito à escrita do autor: eu percebi que nas cenas violentas e que envolviam mortes, ele conduzia a trama de modo imparcial, totalmente sem emoções, como um espectador.
Os editores tiveram a preocupação de dedicar um espaço para que o autor explicasse como o livro surgiu e tomamos conhecimento de que a gênese do livro se deve a um conto narrado pela perspectiva da própria vítima que se vê violada, agredida e morta, uma vez que faz parte de um macabro ritual. Essa é a descrição que dá o pontapé inicial para o livro e que inicia a investigação da trama A diagramação da Editora Record, mais uma vez está belíssima. A capa possui o título em auto-relevo e possui um verniz que confere um brilho a obra. O livro é o primeiro volume de uma série e estou mega ansioso pelo lançamento dos livros seguintes.
Tétrico - Brutal - Intenso - Audacioso - Violento - Sombrio
A leitura é recomendada, principalmente, para os fãs de literatura policial e investigativa. Faço uma ressalva e reafirmo: essa obra não é para leitores de estômagos fraco, acostumados com escritas leves, românticas e despretensiosas. Caso não goste de ler livro com violência, morte e sangue, não lhe recomendo este livro. Estão avisados, porém, incentivo e recomendo a leitura! Livro memorável!
AVALIAÇÃO GERAL:
Espero que tenham gostado de Em Nome do Mal e não deixem de comentar. Suas opiniões é que alimentam o blog e fazem com que eu possa tentar torná-lo um espaço melhor.


